Pular para o conteúdo principal

Desmundo






Sorte, acaso, sucesso, embaraço,
Uma corrente de fatos que não garantem sustento;
Percebo que não encontrei das coisas o fundamento.

Circunstâncias jamais explicarão o ser assim,
Que mesmo desencontrado,não me encontro abandonado de mim.


Os demônios ansiosos do dia-a-dia,
E nem mesmo os fantasmas agourentos das noites
Arrancam do tesouro secreto na alma,
Essa estranha sensação de paz e calma
Que da vida suporta os piores açoites.


Vejo coisas inauditas
Ouço sobre uma vida jamais vista,
Todos os meus sentidos estão atolados no medo,
Mas os olhos e ouvidos de que falo
São de um coração que testemunham no “Desmundo”
Seus mais preciosos segredos.


Mensuro tudo com medidas incompreensíveis,
Compreendo as coisas com amor imensurável,
De sorte que não há perda que não me acrescente,
E confrontos que não me encontrem valente,
Ou,até mesmo impressões alheias que atentem contra o que me revela o “espelho de dentro”:

- Que na vida nada há que não se redima,
E lugar em que não se encontre contentamento.


Postagens mais visitadas deste blog

Do Estado e suas inclinações...!

Os últimos decênios de preponderância das religiões cristãs no Brasil, têm gerado uma contrafação extrema : a de um Estado a-religioso. E, como quase sempre, os extremos são sempre estúpidos! A noção de Estado Laico se bem compreendida (principalmente por cristãos que querem impor uma teocracia moderna) é uma salvaguarda PARA TODOS os cidadãos, religiosos ou não. É a convivência de todos, em liberdade de crença ou não, com a prerrogativa de atuarem em seus espaços sem invadirem os alheios. Se cristãos radicais bem soubessem, acenderiam velas de gratidão pela existência desse modelo de Estado, que inclusive, os possibilita serem livres para serem o que são (e ainda encherem o saco dos outros). Como Política é, sobretudo, dominação e acordos de interesses, as coisas mudam de lugar com bastante frequência, e amanhã os detentores do poder poderiam serem os das religiões de matrizes africanas, ou até mesmo ateus, e quem sabe, suas liberdades de culto estariam ameaçadas. Ter um Esta...

A cafajestagem do "artista-político": breves notas.

1. Não sei até que ponto um músico "da noite", atores, artesãos, literatos, podem ser chamados de artistas. Eu prefiro me definir como entretedor de platéias. Isso me livra da enorme expectação que repousa sobre eles, os verdadeiros artistas. Mas, não se trata somente de uma evasão covarde: é a expressão de minha própria consciência, sabedora que é, da enorme facilidade com que, nas últimas 4 ou 5 gerações, grandezas foram "politizadas", apequenadas e/ou relativizadas. 2. "Artista" é um troço vaidoso e arrogante. "Militante" é um presunçoso fetichista e ufanista. "Artista engajado politicamente" é o suprassumo da decadência intelectual que se alcança no progressismo; e por consequência, chato pra caralho: um propagandista ideológico, jactando-se de sua - suposta - superioridade moral e estética. Toda militância e "espírito revolucionário" são estúpidos : à esquerda, ou à direita.

Brasil acima de tudo: uma piada da contemporaneidade.

- Tuuuuuuuu, tuuuuuuuu, tuuuuuuu... ; alô! - Boa noite! É do Ministério Público? - Sim, senhor! - Ok. Meu nome é Matheus Patrick, e eu gostaria de fazer uma denúncia. - Pois não, senhor. O que deseja denunciar? - Vocês já ouviram falar do termo "Stalker"? - Isso é alemão, senhor? - Não, é anglo-saxônico, derivado do bretão! - Onde é isso, senhor! - Deixa pra lá! Chamam de idioma inglês agora. Enfim.. - Continuo aguardando sua denúncia, senhor! - Então, "stalker" é o que chamamos por aqui de assediador, perseguidor, cerceador, aquele que se alimenta de constranger a liberdade alheia... - Senhor, pra que ser tão prolixo? Aqui na Bahia nós chamamos isso de "vacilão" ou "pau no cu"! - Nossa, como aqui na Bahia as coisas são maravilhosamente sintéticas! - Senhor, o senhor é gay? - Não! Mas isso importa? - É que o senhor usa uns termos afetados que, ou é coisa de bicha, de burguês, ou de bicha burguesa (leia es...