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Bom dia, "Flor do dia" !




Pairando sobre um jardim de gente,o avesso beija-flor misantropo cumpria sua rotina descontente, até brotar , de súbito, aquela antiga flor ardente !

E ele se embaraça em seu próprio vôo, como em todas as vezes que , de longe a contemplou.

Sorri, encabulado, e envolve a flor com suas asas cambaleantes e feridas: nesse instante, para ele, já não há mais gente, nem ruído, somente a amarela-flor que desperta , como sempre, a sede de sempre.

Queria mesmo era , com seu bico, sorver tudo nela, na flor da flor,e desmaiá-la ali mesmo, no meio do jardim de gente...

Mas, o que lhe sobra, duramente, é a mesma distância cruel de sempre...

Sempre, no meio das gentes, pairando carente, se afasta o misantropo beija-flor doente...




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Carpe Diem

Vem, amanhã pode ser tarde, Talvez não tenhas chance, E o tempo lhe alcance Sem que seja oportuno Olhar nos olhos de quem lhe arde o peito E enrubesce as maçãs de seu rosto, E que cala o discurso mais ensaiado. Vem, pois este “hoje” é o dia De que ainda tens a garantia de colher Os frutos do amor que alimenta seu ânimo; E que à noite vela teu sono Semenado nos teus sonhos O desejo secreto de muitos “amanhãs”. Vem, quando se ama o tempo pára, O instante é o “sempre agora” E o amanhã uma distante maldade.   Este é o convite que lhe faço: - Hoje, revele teu coração, Pois se amanhã já não formos Seremos na eternidade.

A cafajestagem do "artista-político": breves notas.

1. Não sei até que ponto um músico "da noite", atores, artesãos, literatos, podem ser chamados de artistas. Eu prefiro me definir como entretedor de platéias. Isso me livra da enorme expectação que repousa sobre eles, os verdadeiros artistas. Mas, não se trata somente de uma evasão covarde: é a expressão de minha própria consciência, sabedora que é, da enorme facilidade com que, nas últimas 4 ou 5 gerações, grandezas foram "politizadas", apequenadas e/ou relativizadas. 2. "Artista" é um troço vaidoso e arrogante. "Militante" é um presunçoso fetichista e ufanista. "Artista engajado politicamente" é o suprassumo da decadência intelectual que se alcança no progressismo; e por consequência, chato pra caralho: um propagandista ideológico, jactando-se de sua - suposta - superioridade moral e estética. Toda militância e "espírito revolucionário" são estúpidos : à esquerda, ou à direita.

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