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Everybody lies !




Todo homem mente sobre si pra outros. O máximo que podemos alcançar, é um nível de honestidade em que tentamos nos esconder menos.

Mentimos por não nos conhecermos, sim, mas mais ainda, por nos conhecermos.

Nossos "stories" não guardam semelhança com a verdadeira história do que somos ;e as "timelines" são recortes, edições, a última tentativa de pôr uma ordem e sentido que, todos sabemos, jamais houve.

Enquanto bailamos sobre esse abismo de incertezas, sentimos a necessidade de justificar a continuidade, e assim inauguramos a mais industriosa das invenções humanas : a Fábrica de Sentidos.

"Sentido" em forma de família e posteridade; Sentido em forma de um "mundo melhor", Sentido em forma de militância e ativismo, Sentido em sua definição primeira e última, Deus.

Que maravilhosa engenharia esta, a de retroalimentar com fenômenos - somente - verossímeis, a nossa fuga constante e desesperada: fuga da única verdade que todos sentimos, universalmente ; a de que não há sentido a priori, e a de que os fundamentos da experiência humana são caos e vácuo.

"O primeiro instinto humano é a fuga", e obviamente, todos negarão isso como se lutassem pela própria vida ; fugindo por meio de teclados, enquanto qualquer sopro de honestidade foge por entre os dedos.

"O homem preferirá acreditar em nada, do que em nada acreditar", e todo Sentido, por mais vazio que se mostre no fim, para muitos será o modo de percorrer o caminho que antecede-o. Não os culpo, sinceramente.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac! A cada instante, os sinos se dobram pela última vez para alguém, e sobre suas certezas cai, esmigalhando-as. E, no último ressoar do sino, pela primeira vez o homem se dobra diante da verdade; a verdade de que estamos - e somos - sós.









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