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Sobre a terceirização das responsabilidades; ou, "assuma suas pôrras".






Umas das coisas que mais me chamaram a atenção - desde a infância - e que jamais entendi, é o que costumo chamar de "terceirização da responsabilidade". Essa falsa habilidade que desenvolvemos de, nunca mesmo, assumir a condução das nossas coisas, e por resultado, as consequências disto.

* Perdeu o emprego, ou não arranja um : a culpa é do "mercado".

* O colega foi promovido, e você não: resultado da política de influência dentro da empresa.

* Seu parceiro (a) está em condição financeira e profissional mais bem situada que você​: a culpa é de qualquer coisa (se for o caso da parceira, é por ela" ter uma buceta " e você não), menos de sua falta de aplicação e investimento na formação ; ao contrário dela(e).

* Você quase não têm amigos (e nessa me identifico) : a culpa é" deles", que são um bando de traíras, menos sua, que é antipático, egoísta, e antissocial.

* Seu casamento vai mal, ou está acabando (ou já acabou, e você não quer aceitar) : a culpa é de deus, das más influências dos amigos, da falta de comprometimento do parceiro ; mas nunca é sua, que é opressor, desrespeitador, desleal, cruel, dominador, o próprio diabo vestido de marido (ou esposa).

É óbvio que, toda a experiência humana é caótica, irracional em muitas vezes, e ao contrário do que místicos queiram acreditar, injusta. Não há justa retribuição, nenhuma Lei inexorável de Semeadura, e nenhum aparato teórico que encontre algum nexo ou razoabilidade nas coisas do cotidiano. Sim, isso é autoevidente, e se agarra à falsas esperanças quem assim deseja. Mas, convenhamos: nenhuma busca por explicação, supostas causas, razões de seu infortúnio, são honestas se começa sempre à partir do outro, das externalidades.

Se você é honesto, e quer mesmo garantir umas das poucas coisas que, nesse chão de dores, ainda é garantido - a integridade do ser - comece praticando o que diz o bom baianês:
- Assuma suas pôrras!

Depois disso, do que restar desse exame de conduta, tente fazer algo: caso sobre mesmo algo. Pois, da maioria dos infortúnios dos quais lamentamos, somos os responsáveis diretos.




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