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Fla x Flu - Ou, das discussões "políticas" no Brasil.

Não posso dizer como a coisa se dá no resto do mundo, mas aqui, desde quando me entendo por gente, nunca vi a associação entre pensamento e política. Aqui tudo é passional, afetado por ressentimentos, orientado por identificações bem personalistas, populistas como em toda a América Latina. A surpresa é ver que o acesso à informação, decorrente do advento da WEB, parece ter piorado o processo.

Na verdade, não deveria ser surpresa : os mecanismos das crenças são e serão sempre os mesmos, e "a religião dos outros é sempre a estranha e herética". Sim, no Brasil, política É religião; e deriva dos mesmos processos cognitivos originadores das crenças.

Antes que me entendam mal (como se me importasse), não quero dizer que se trata de um rebaixamento da Política compará-la aos movimentos religiosos: o que quero dizer é que ambos possuem naturezas distintas. Na religião a experiência é puramente subjetiva, individual, incomunicável e incompartilhável, de modo que se torna tirânico impor essa mesma experiência a outrem. O que se pode fazer, é somente compartilhar os efeitos imediatos dessa experiência, e esperar que os ouvintes tenham ou não a mesma experiência que você.

Mas, Política, deveria ser uma atividade da praça pública, do confronto honesto de ideias, de "razões" sobrepondo-se. Quando uma decisão política é fruto de mera paixão ideológica, e pretende ser aceita por todos, nada se difere dos maiores vexames experienciados pelas mais tirânicas catequizações.

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Carpe Diem

Vem, amanhã pode ser tarde, Talvez não tenhas chance, E o tempo lhe alcance Sem que seja oportuno Olhar nos olhos de quem lhe arde o peito E enrubesce as maçãs de seu rosto, E que cala o discurso mais ensaiado. Vem, pois este “hoje” é o dia De que ainda tens a garantia de colher Os frutos do amor que alimenta seu ânimo; E que à noite vela teu sono Semenado nos teus sonhos O desejo secreto de muitos “amanhãs”. Vem, quando se ama o tempo pára, O instante é o “sempre agora” E o amanhã uma distante maldade.   Este é o convite que lhe faço: - Hoje, revele teu coração, Pois se amanhã já não formos Seremos na eternidade.

A cafajestagem do "artista-político": breves notas.

1. Não sei até que ponto um músico "da noite", atores, artesãos, literatos, podem ser chamados de artistas. Eu prefiro me definir como entretedor de platéias. Isso me livra da enorme expectação que repousa sobre eles, os verdadeiros artistas. Mas, não se trata somente de uma evasão covarde: é a expressão de minha própria consciência, sabedora que é, da enorme facilidade com que, nas últimas 4 ou 5 gerações, grandezas foram "politizadas", apequenadas e/ou relativizadas. 2. "Artista" é um troço vaidoso e arrogante. "Militante" é um presunçoso fetichista e ufanista. "Artista engajado politicamente" é o suprassumo da decadência intelectual que se alcança no progressismo; e por consequência, chato pra caralho: um propagandista ideológico, jactando-se de sua - suposta - superioridade moral e estética. Toda militância e "espírito revolucionário" são estúpidos : à esquerda, ou à direita.

A genialidade escondida sob a caricatura do ridículo.

O mais sofisticado quadro de humor formado nas últimas décadas: "Mamonas Assassinas" ! Se fosse um desses acadêmicos que inventam estudos somente para captarem recursos do governo, dedicaria uma séria análise dos meninos de Guarulhos. É desnecessário, a quem se interessa pela história da música ocidental nos últimos 50 anos, apontar a maravilhosa síntese que compõe o único álbum da banda. Um passeio pelo punk rock setentista, pela batida oitentista, pelo Thrash Metal; isso sem mencionar as inúmeras referências à gêneros tipicamente brasileiros: do brega de Falcão e Cauby Peixoto, ao pagodão carioca (especificamente, o Raça Negra e o Negritude Jr.); o "Forrock", etc...! As idiossincrasias da classe média brasileira da década de 90, o choque cultural de um nordestino em um Shopping Center, o "legado do chifre" no romantismo brasileiro; o estigma de gay dos gaúchos, ou até mesmo - em um aparente escárnio aos gays - o ataque aos estereótip...