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Um retorno à ancestralidade africana . Axé !!





Não, não estou falando da "Mãe África", mas da minha família mesmo, e uma das minhas matriarcas é do "povo de santo"; mãe deles lá.

Ouvir histórias de sua árvore genealógica faz você entender grande parte do homem que você é, gostando ou não do resultado.

Compartilhei também com minha avó a incompletude que sinto - e que pretendo manter - por não me identificar com sua vocação (é, a gente conversa assim, sem arrudeio). Gosto das melodias e ritmos de preto, da literatura de preto, da comida de preto, da comunidade de preto, mas as manifestações religiosas, para mim, não são sedutoras. Pelo contrário, me repelem, e eu as repilo. Lamentei com ela o fato d'eu jamais alcançar a plenitude da "pretitude", e ela só me respondeu - com a tranquilidade da sabedoria envelhecida - de modo claro : "não se preocupe com isso, Matheus, pois seus 'caminhos' são outros que não são os do Axé". Mal sabe ela que "caminhos" não são bem o meu forte!

Me identifiquei mais com aquela velha e quase octagenária foto, a mesma desde criança, que ao olhar sempre me veio à mente a mesma certeza: "caralho, pivete, esse véi sisudo aí na foto é o seu futuro". Hoje, pela primeira vez, vendo que sempre me intrigo com essa foto, a véia largou o doce: "ver você é o mesmo que ver seu bisavô, Matheus, pois ele era um homem que tinha muita dificuldade em acreditar nessas coisas espirituais".

Me senti compreendido pelo véio ranzinza da foto que fica na sala, que sempre reconheci imensa familiaridade. Numa família cheia de tantos crentes e de diversas formas de fé, a Dúvida está ali representada no patriarca...e oitenta anos depois, Eu Sou o velho da foto!




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Carpe Diem

Vem, amanhã pode ser tarde, Talvez não tenhas chance, E o tempo lhe alcance Sem que seja oportuno Olhar nos olhos de quem lhe arde o peito E enrubesce as maçãs de seu rosto, E que cala o discurso mais ensaiado. Vem, pois este “hoje” é o dia De que ainda tens a garantia de colher Os frutos do amor que alimenta seu ânimo; E que à noite vela teu sono Semenado nos teus sonhos O desejo secreto de muitos “amanhãs”. Vem, quando se ama o tempo pára, O instante é o “sempre agora” E o amanhã uma distante maldade.   Este é o convite que lhe faço: - Hoje, revele teu coração, Pois se amanhã já não formos Seremos na eternidade.

A cafajestagem do "artista-político": breves notas.

1. Não sei até que ponto um músico "da noite", atores, artesãos, literatos, podem ser chamados de artistas. Eu prefiro me definir como entretedor de platéias. Isso me livra da enorme expectação que repousa sobre eles, os verdadeiros artistas. Mas, não se trata somente de uma evasão covarde: é a expressão de minha própria consciência, sabedora que é, da enorme facilidade com que, nas últimas 4 ou 5 gerações, grandezas foram "politizadas", apequenadas e/ou relativizadas. 2. "Artista" é um troço vaidoso e arrogante. "Militante" é um presunçoso fetichista e ufanista. "Artista engajado politicamente" é o suprassumo da decadência intelectual que se alcança no progressismo; e por consequência, chato pra caralho: um propagandista ideológico, jactando-se de sua - suposta - superioridade moral e estética. Toda militância e "espírito revolucionário" são estúpidos : à esquerda, ou à direita.

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